Governo perde bilhões com mercado ilegal fora de controle no Brasil
Três em cada quatro brasileiros que apostaram online em 2025 usaram plataformas ilegais. A informação foi divulgada em pesquisa realizada pela Instituto Locomotiva, realizado entre abril e maio deste ano com 2,000 entrevistas. O estudo também mostra que 77% dos que apostaram em plataformas ilegais este ano gastaram a maior parte ou todo o seu dinheiro de apostas no mercado ilegal.
A pesquisa também revelou que 73% dos apostadores admitiram usar pelo menos uma das principais marcas não autorizadas. Além disso, 46% depositaram dinheiro em sites que posteriormente descobriram ser falsos ou irregulares. A maioria (78%) relata dificuldades em identificar se uma plataforma é legal e 72% admitem que nem sempre verificam as informações necessárias para garantir a legalidade do serviço.
Financiado pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) O estudo foi apresentado na quinta-feira, 12 de junho, em evento na sede do IBJR, em São Paulo. Entre os presentes, estavam Fernando Vieira, Presidente Executivo do IBJR; Carlos Manuel Baigorri, Presidente da Agência Nacional de Telecomunicações do Brasil; Giovanni Rocco, Secretário Nacional de Apostas Esportivas do Ministério do Esporte; e deputado federal Caio Viana, Presidente do Subcomitê de Regulamentação de Apostas Esportivas.
O levantamento serviu de base para um estudo econômico da consultoria LCA, que estima que entre 41% e 51% do mercado de apostas no Brasil opera ilegalmente. Somente no trimestre de fevereiro a abril de 2025, o mercado ilegal movimentou entre R$ 6.6 bilhões e R$ 9.9 bilhões. Ao longo de um ano, esse volume pode chegar a R$ 40 bilhões, o equivalente ao mercado regulado, estimado em R$ 38 bilhões.
A sonegação fiscal causada por plataformas ilegais pode chegar a R$ 10.8 bilhões anualmente. Em apenas três meses, o governo federal perdeu uma arrecadação tributária que variou de R$ 1.8 bilhão a R$ 2.7 bilhões, segundo estimativas da LCA.
Fernando Vieira disse à Máquina do Esporte: “Já tínhamos uma ideia da dimensão desse problema dentro da IBJR, mas o levantamento traz luz a essa questão. Ao trazer luz ao assunto, podemos planejar como enfrentar esse mercado ilegal”, afirmou.
O presidente da IBJR também criticou a medida provisória (MP) publicada na quarta-feira (11 de junho) pelo Governo Federal, que eleva a alíquota do Imposto de Renda Retido na Fonte (RGR). O executivo também se referiu ao projeto de lei, aprovado no Senado e atualmente em tramitação na Câmara dos Deputados, que visa restringir a publicidade de apostas.
“É inútil continuar aumentando os impostos e restringindo a publicidade para o setor regulamentado sem criar condições para que ele atraia mais apostadores. Caso contrário, o efeito será o oposto. Mais pessoas migrarão para o mercado informal”, disse ele.
