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Confederação do Comércio do Brasil associa apostas a perdas de R$ 143 bilhões em vendas no varejo, enquanto o setor reage.

Confederação do Comércio do Brasil associa apostas a perdas de R$ 143 bilhões em vendas no varejo, enquanto o setor reage.

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A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) informou em Brasília, na terça-feira, 28 de abril de 2026, que a inadimplência das famílias devido às apostas online drenou R$ 143 bilhões do comércio varejista brasileiro entre janeiro de 2023 e março de 2026. A Confederação afirmou que o valor equivale ao total das vendas no varejo nos períodos de Natal de 2024 e 2025 combinados.

Fabio Bentes, economista-chefe da Confederação, apresentou a análise na coletiva de imprensa. O estudo utiliza técnicas econométricas aplicadas a dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) do próprio CNC e a números do Banco Central. Bentes afirmou que os gastos mensais dos brasileiros com plataformas de apostas ultrapassaram R$ 30 bilhões, com os dados do Banco Central potencialmente subestimando o total.

O CNC afirmou que o impacto é desigual. “Homens, famílias de baixa renda [até cinco salários mínimos], idosos [acima de 35 anos] e pessoas com maior escolaridade [ensino médio ou superior] apresentam maior vulnerabilidade aos efeitos das apostas.” José Roberto Tadros, presidente do sistema CNC-Sesc-Senac, defendeu políticas públicas sobre as plataformas e sobre a proteção do consumidor em uma declaração escrita.

Entidades do setor contestaram as conclusões antes da coletiva de imprensa. O Instituto Brasileiro do Jogo Responsável (IBJR) enviou uma notificação formal ao CNC em 27 de abril exigindo “transparência metodológica” e “acesso total” aos dados que fundamentaram o estudo, alegando que edições anteriores partiram de uma “premissa totalmente desalinhada com os dados oficiais”. O instituto representa operadoras que respondem por mais de 70% do volume de apostas legais no Brasil.

O IBJR citou dados oficiais da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA/MF) que mostram uma receita bruta total de jogos de azar de R$ 37 bilhões em 2025 e 25.2 milhões de brasileiros apostando, argumentando que a estimativa do CNC de R$ 240 bilhões destinados a apostas em 2024 era “insustentável”. A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) afirmou que os números do CNC “não correspondem aos dados oficiais do governo e do setor” e ignoram “a natureza multifatorial do endividamento das famílias no Brasil”.

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