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Notícias da Operadora

Associações brasileiras de jogos de azar alertam que aumento de impostos pode levar à saída do mercado

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Seis associações representativas do setor de jogos de azar manifestaram preocupação com o potencial aumento da carga tributária sobre operadores legais no Brasil. A declaração conjunta foi divulgada na terça-feira (3 de junho de 2025), em resposta à proposta de compensação fiscal após a revogação do Decreto nº 12,466, de 22 de maio de 2025, que havia elevado a alíquota do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre remessas internacionais de 0.38% para 3.50%.

O documento foi assinado por ABRAJOGO (Associação Brasileira de Jogos e Loterias),  ABFS (Associação de Apostas e Esportes de Fantasia), AIGAMING (Associação Internacional de Jogos), ANJL (Associação Nacional de Jogos e Loterias), IBJR (Instituto Brasileiro de Jogo Responsável) e IJL (Instituto Brasileiro de Jogo Legal).

Em comunicado, destacaram que as operadoras licenciadas estão atualmente sobrecarregadas por uma pesada estrutura tributária, que inclui até 26% de impostos sobre a receita bruta, além de 34% adicionais sobre o lucro. As operadoras também arcam com taxas mensais de fiscalização que podem chegar a cerca de R$ 2 milhões cada.

Eles alertaram que a iminente transição para um novo modelo tributário deverá aumentar essa carga tributária em mais 13% sobre a receita bruta. Isso elevaria ainda mais a já substancial carga tributária, tornando-a uma das mais altas do mundo para o setor.

O comunicado também destacou a importância da recente aprovação do Imposto Seletivo sobre o setor, cuja alíquota ainda não foi definida pelo legislador. No entanto, espera-se que ele leve o setor a uma carga tributária próxima a 50%, comprometendo a viabilidade econômica do setor regulamentado de jogos online no Brasil.

Além disso, argumentam que as empresas operam sob rigorosas normas, normas técnicas e de conformidade, em total conformidade com as exigências estabelecidas pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA/MF). Essas exigências abrangem regras que visam prevenir a lavagem de dinheiro, combater a manipulação de resultados, promover o jogo responsável e garantir os padrões tecnológicos.

Nesse cenário, é injustificável — sob qualquer perspectiva técnica, econômica ou de política pública — impor novas cargas tributárias a um setor já extremamente tributado e que contribui significativa e responsavelmente para o país, sob pena de inviabilizar a atividade. A adoção de medidas que comprometam o funcionamento legal tende a provocar o efeito oposto ao desejado: o fortalecimento de plataformas clandestinas que não arrecadam impostos, não cumprem as normas regulatórias e expõem os consumidores a riscos de fraudes, vício em jogos de azar e outras vulnerabilidades, como tem sido observado nas últimas décadas.

A declaração prosseguia dizendo que: “Experiências internacionais, como as da Itália e da Espanha, já demonstraram que a tributação excessiva em mercados recém-regulamentados leva à expansão do mercado ilegal, resultando em perda de receita e redução da eficácia regulatória... Portanto, o aumento da carga tributária sobre operadores legalizados compromete diretamente a continuidade das operações das empresas no mercado brasileiro — muitas das quais já cogitam a devolução de suas licenças e o encerramento de suas operações no país. Essa saída fortalece a competitividade das empresas ilegais, comprometendo os objetivos centrais do marco regulatório: garantir a arrecadação de receitas, proteger os consumidores e promover a integridade do sistema.”

A declaração concluiu afirmando que: “É imperativo reafirmar que tributação eficiente não é sinônimo de confisco. Compensar perdas fiscais momentâneas com aumentos desproporcionais da carga tributária sobre um setor ainda em processo de consolidação regulatória compromete o próprio objetivo da política pública: direcionar os consumidores para um ambiente seguro, legal, regulado e socialmente responsável.”

O Brasil tem hoje uma oportunidade histórica de consolidar um modelo maduro de regulação de jogos de azar, com alta capacidade de arrecadação, compromisso com a integridade do mercado e proteção ao cidadão. É fundamental evitar retrocessos irreversíveis.

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